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Em crise, 38% das famílias brasileiras trocaram de marca

Written by on 16/11/2018

Aproximadamente 15 milhões de lares brasileiros entraram novamente na crise em 2018, elevando o total de domicílios impactados para 27 milhões. A conclusão é do estudo 360º Consumer View, realizado anualmente pela Nielsen. A pesquisa também detectou que as famílias estão vivenciando essa insegurança em looping nos últimos três anos, enfrentando desemprego, inadimplência e dificuldades orçamentárias.

A parcela que permanece imune à crise soma 14 milhões de lares, estável em 26% do total da população desde 2017. Além disso, a análise mostrou que 12 milhões de lares conseguiram sair dela em 2018. A conclusão mais importante é que, apesar do número relevante de lares saindo, os que entraram representam uma parcela maior de famílias, reforçando o cenário de looping que gera incertezas e dificuldades de forma mais duradoura.

Cautela e novas escolhas

“Existe um novo consumidor no Brasil. Ele é mais cauteloso, faz mais planejamento, pois não sabe como será seu futuro. A crise é muito dura e moldou esse novo comportamento”, afirmou o diretor do Painel de Lares da Nielsen Brasil, Ricardo Alvarenga. “Dessa forma, esse âmbito oscilante moldou um novo padrão de consumidor, que está mais aberto a troca de marcas, busca mais rendas alternativas, recorre ao crédito no mercado para ganhar poder de compra e amplia o número de canais de compra que visita, tudo para se adaptar a um orçamento restrito”, complementa o profissional.

Dentro do grupo das famílias que entraram na crise, 38% passaram a trocar de marcas, 22% reduziram os gastos, 67% estão endividados no cartão de crédito, 12% recorreram ao crédito consignado. Além disso, a parcela que buscou rendas alternativas chegou a 68% neste ano, contra 58% em 2017. Entre as opções buscadas estão babás, diaristas, passeadores de animais de estimação, motoristas de aplicativos de mobilidade urbana, vendedores de catálogo de venda direta e de alimentos caseiros.

Indústria tenta se adaptar

A prova que essas famílias vivem a instabilidade de forma cíclica é que, mesmo aquelas que saíram da crise e hoje não estão impactadas pelo desemprego e/ou contas atrasadas, também mudam de comportamento. Ou seja, 36% continuam trocando de marcas, 64% estão com dívidas no cartão de crédito e 24% recorrendo ao consignado. O estudo projeta ainda para 2018 uma retração de 1,6% a 2,4% no faturamento das categorias de consumo massivo auditadas regularmente pela Nielsen. Apesar de negativo, o desempenho indica que será melhor que o verificado no ano anterior, com queda de 3,8%.

O Consumer 360º identificou que a indústria também se moldou, deixando para trás ações reativas de curto-prazo e dando espaço à propostas mais estratégicas a fim de construir valor no longo-prazo. Com esse raciocínio, as táticas convencionais de preço e promoção se mantiveram, porém a indústria investiu em novas ofertas de valor agregado, atendendo a demanda dos consumidores por produtos indulgentes e funcionais, que cresceram 5,2% e 1,4% respectivamente, contra quedas de 4,3% nos práticos e 4% nos básicos.

“Pode parecer um paradoxo, mas não é. O consumidor está em crise, mas reluta em diminuir seu padrão de vida. Busca todas as alternativas possíveis para tentar manter seu bem-estar. E como algumas indústrias se adaptam à essa realidade, ele encontra produtos de com benefícios adicionais, como os indulgentes e funcionais, com tamanhos, embalagens ou marcas acessíveis”, aponta o profissional.


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